Depressão e Solidão

12 fevereiro, 2019

Há hoje uma queixa freqüente vinculada, no mais das vezes, ao relacionamento amoroso e aparentemente as dificuldades nesse campo têm crescido exponencialmente. É natural também que o motivo inicial da procura de ajuda profissional seja apenas a ponta de um iceberg e, além do motivo alegado inicialmente, haja fatores desconhecidos e/ou inconscientes. As mudanças sociais das últimas décadas contribuíram significativamente para essa ocorrência e aqui cabe ressaltar que a sociedade não assume (e portanto não corrige) os efeitos dos aspectos sociais sobre a saúde emocional dos indivíduos. Falamos de uma síndrome inominada, base da doença emocional, e que é fator determinante na ocorrência de outras síndromes conhecidas e também dos mais variados comportamentos classificados normalmente como depressão. O lado positivo dessa moeda é conhecido como Pertinens, que é o ser parte de algo/alguém, e prefiro esse termo ao Pertença, por este nos permitir ligá-lo a pertencer. Pertinens, diferente de pertencer (Pertença) e nos coloca como parte de um conjunto. A debilidade ou ausência do sentimento de Pertinens não foi ainda nominada e vamos tratá-la aqui como sentimento de não-pertinens, para evitar o impertinens, análogo à impertinência cujo emprego usual é distinto do que estamos tratando. O sentimento de solidão é parte integrante do sentimento de não-pertinen mas não só ele. O vazio existencial, muitas vezes base da depressão – a doença do século -, o sentimento de alheamento, de ser diferente de todo-o-resto, o sentimento de ausência, de estar só e de que o mundo é algo estranho e, eventualmente, indesejado compõem muitas vezes quadros de irritabilidade, impulsividade, agressões e homicídios ou, por outro lado, de apatia, abandono de si mesmo e suicídio. O não-Pertinens pode estar também na base da síndrome do pânico principalmente quando sua insurgência se dá diante da possibilidade da perda de eventuais vínculos afetivos. Em “Cem anos de solidão”, Gabriel Garcia Marques, prêmio Nobel de literatura de 1982, mostra inúmeros ângulos da solidão através dos personagens e especialmente em Aureliano Buendia, podemos ver alguns aspectos do sentimento de não-Pertinens. O não ser reconhecido = não ser aceito:(Úrsula dizendo ao seu marido) – “Em vez de andar por ai com essas novidades malucas, você devia era se ocupar dos seus filhos – replicou – Olhe como estão, abandonados ao Deus dará, como os burros. Jose Arcádio Buendia tomou ao pé da letra as palavras da mulher. Olhou para a janela e viu os dois meninos descalços na horta ensolarada, e teve a impressão de que só naquele instante tinham começado a existir, concebidos pelos rogos de Úrsula.” O sentimento de Pertinens surge ainda no ventre materno através da voz da mãe e do seu estado emocional gerado pelos sentimentos positivos em relação à gravidez. Se desenvolve através dos vínculos positivos na família mas também na escola (professores e colegas). Parte do ser reconhecido e se fortalece no ser aceito.Comportamento: – “Aureliano, o primeiro ser humano que nasceu em Macondo, ia fazer seis anos em março. Era silencioso e retraído. Tinha chorado no ventre da mãe e nasceu com os olhos abertos. Enquanto lhe cortavam o umbigo movia a cabeça de um lado para o outro, reconhecendo as coisas do quarto, e examinava o rosto das pessoas com uma curiosidade sem assombro. Depois, indiferente aos que vinham conhecê-lo, manteve a atenção concentrada no teto de palmas, que parecia estar quase desabando sob a tremenda pressão da chuva.” O não-Pertinens compromete as relações eu-mundo fazendo surgir o sentimento de estranheza: o mundo é estranho e/ou eu sou diferente. 2.1 – Imaturidade emocional: – (Aureliano, já adulto, se apaixona por Remédios que tinha cerca de nove anos.) – “A imagem de Remédios, a filha mais nova do delegado, que pela idade poderia ser sua filha, ficou doendo em alguma parte de seu corpo. Era uma sensação física que quase o incomodava para andar, como uma pedrinha no sapato” … “Remédios se aproximou e fez algumas perguntas sobre o peixinho, que Aureliano não pôde responder devido a um repentino ataque de asma. Queria ficar para sempre junto desses olhos de esmeralda, muito perto dessa voz que a cada pergunta lhe dizia senhor com o mesmo respeito com que o dizia a seu pai.” (A primeira relação sexual de Aureliano, com Pilar Ternera, que tinha idade para ser sua mãe.) – “Venho dormir com a senhora – disse. Tinha a roupa manchada de lama e de vômito. … encontrou Remédios transformada num pântano sem horizontes, cheirando a animal cru e a roupa recém-passada a ferro. Quando boiou estava chorando. Primeiro foram soluços involuntários e entrecortados. Depois esvaziou num manancial desatado, sentindo que algo tumefato e doloroso tinha arrebentado no seu interior. Ela esperou, coçando-lhe a cabeça com a ponta dos dedos, até que seu corpo se desocupasse da matéria escura que não o deixava viver. Então Pilar Ternera lhe perguntou: “Quem é?” E Aureliano lhe disse. Ela deu a risada que em outros tempos espantava os pombos e que agora nem acordava as crianças. “você vai ter que acabar de criá-la”.” Reações – (Aureliano se casa com Remédios e esta morre deixando dois filhos; depois disso Aureliano se denomina Coronel Aureliano Buendia e faz uma guerra de vinte anos sem saber exatamente o por quê.) “Na terça-feira, à noite, numa operação tresloucada, vinte e um homens menores de trinta anos, chefiados por Aureliano Buendia, armados com facas de mesa e ferros afiados, tomaram de assalto a guarnição, apoderaram-se das armas e fuzilaram no pátio o capitão e os quatro soldados…” Aureliano tinha alcançado algo próximo ao sentimento de Pertinens através de Remédios. Com seu falecimento ele retornara ao não-Pertinens e a guerra era a forma como exercia sua raiva, através de supostas lutas por direitos, valores, justiça.– Herança – (As relações ocasionais durante a guerra geram filhos.) “Trouxeram crianças de todas as idades, de todas as cores, mas todos varões, e todos com um ar de solidão que não permitia pôr em dúvida o parentesco.” “Então o Coronel Aureliano Buendia tirou a tranca e viu na porta dezessete homens dos mais variados aspectos, de todos os tipos e cores, mas todos com um ar solitário que teria bastado para identificá-los em qualquer lugar da terra. Eram os seus filhos.”– Herança, reconstrução de vínculos ou sintoma da solidão – (Aureliano José – filho de Aureliano Buendia, e Pilar Ternera – a que poderia ser sua mãe -, e Amaranta, irmã de Aureliano Buendia) – “Aureliano José não podia conciliar o sono enquanto não escutava a valsa das doze no relógio da sala, e a madura donzela cuja pele começava a entristecer não tinha um só instante de sossego enquanto não sentia deslizar no mosquiteiro aquele sonâmbulo que ela tinha criado, sem pensar que seria um paliativo para a sua solidão. Então, não só dormiram juntos, nus, trocando carícias extenuantes, como também se perseguiam pelos cantos da casa e se fechavam nos quartos a qualquer hora, num permanente estado de exaltação sem alívio.” A literatura exemplifica e torna mais visível aspectos que a realidade dissimula. Por outro lado nos acostumamos a dizer que a Psicologia não é uma ciência exata e isso permite que pensemos erroneamente, que não há exatidão nela. Se não é possível operações aritméticas simples como o 2 + 2 = 4, a psicologia como a medicina, permitem equações do tipo a + b = x onde x representa uma gama conhecida de possibilidades (por exemplo, Aureliano Buendia, ao invés de se casar com a menina Remédios, poderia exercer sua pulsão através do abuso sexual de menores). Então determinadas ocorrências em determinados períodos da vida, tendem a dificultar a ocorrência do sentimento de Pertinens. A ausência desse sentimento tende, diante de determinadas ocorrências, a provocar instabilidade emocional que é prejudicial ao indivíduo e à sociedade. Dessa forma, tomando como base que a fragilização dos vínculos implica na redução do potencial de realização produtiva do indivíduo, deveríamos estar atentos à formação do indivíduo já que: quando os vínculos não existem desde o início, raramente a pessoa se desenvolve com alguma normalidade.quando os vínculos são rompidos na primeira infância, há o desenvolvimento de patologias graves.quando os vínculos são fragilizados na primeira infância, podem ser fortalecidos na escola, ou mais fragilizados ainda, ou mesmo rompidos.quando os vínculos são fragilizados na escola, podem ainda ser fortalecidos na vida adulta (vida conjugal/profissional). A riqueza do indivíduo, no entanto, permite que ele encontre alternativas de correção de aspectos indesejáveis. Poderíamos entender então que a paixão e o casamento de Aureliano com Remédios (itens 2.1 e 3, acima) podem significar sintomas de seu distúrbio mas, por outro lado, o vínculo que ele estabeleceu com Remédios conteve seus eventuais comportamentos destrutivos, mas vieram a ocorrer depois da morte desta. Somos instados pela natureza humana a recompor um intenso vínculo com nosso semelhante. O homem busca estabelecer com uma mulher um vínculo que se aproxime em intensidade, com aquele conhecido na vida intra-uterina. A mulher busca um homem para desenvolver esse mesmo vínculo, através da procriação. A sociedade atual, por seu lado, vem estimulando cada vez mais o individualismo e a gratificação no prazer. Estamos, então, diante de um descompasso – quase uma contradição – entre a demanda da natureza e os estímulos sociais, daí a emergência dos distúrbios de relacionamento. As dificuldades de relacionamento, por seu lado, facilitam o estabelecimento de sentimentos de não-Pertinens nos eventuais filhos desse relacionamento, o que cria uma bola-de-neve: a sociedade favorece o surgimento de distúrbios emocionais nos indivíduos e indivíduos com distúrbios emocionais desenvolvem uma sociedade mais doentia. O tratamento individual nos consultórios de psicologia atende ao interesse individual, mas não é capaz de conter o crescimento das disfunções conhecidas e das que ainda surgirão, com base nessa questão de vínculos, isto é, não é capaz de atender ao interesse da sociedade. Dessa forma a solidão, o sentimento de vazio e alheamento; o não-Pertinens, já não podem ser vistos apenas como distúrbios do indivíduo mas precisam ser tratados através de políticas públicas. Já temos instituída a prática dos exames pré-natais, para garantir a saúde física das crianças. Devemos agregar à essa prática, a orientação pré-natal (e pós-natal), para favorecer a saúde emocional do indivíduo (e a futura Saúde Social).  

 

Psicoprofilaxia: Eu sou o que penso que sou?

1 fevereiro, 2019

Há uma espécie de lagosta que em determinada época faz uma migração. Em fila indiana elas se deslocam no fundo do oceano por várias milhas e não sabemos o porquê.
As aves se compõem de várias espécies migratórias. A explicação de que elas migram para fugir do inverno não se aplica a todos os casos pois algumas iniciam a viagem no verão.
A falta de alimento também é uma justificativa que falha em relação a algumas espécies. Como explicar que num determinado dia um bando de aves levante vôo e passe, parte do ano ou o resto de suas vidas, em alguns casos, numa região milhares de quilômetros distante do seu local de origem?

Por que algumas espécies animais são monogâmicas e outras não?
Porque o salmão, todo o ano, sobe o rio (contra a corrente) para desovar na região em que nasceu?

A hiena, ao nascer, vai, imediatamente, à procura de um eventual irmão do mesmo sexo, e tenta matá-lo. Sem ter tido mesmo um minuto para qualquer aprendizagem ela já distingue o irmão, o recém-nascido, a diferenciação sexual e procura eliminá-lo.
Somos formados com uma base genética: recebemos as características de nossa espécie e também as características de nossos genitores (semente). Sobre essa base nos desenvolvemos moldados por influências ambientais (água, luz, nutrientes e relações).

Somos formados através de diferentes influências o que define algumas de nossas “camadas” e nós somos a soma dessas camadas e, note, há muito mais em nós do que temos consciência.

Nossa vida consciente é percebida como se fosse tudo o que nós somos, pois só ela percebemos e com clareza sabemos como ela influencia nossas decisões e atitudes. É esse “eu” que acreditamos ser o “EU”, porém, ela é apenas nossa Consciência.

O “EU”, no entanto é fortemente influenciado por nossas emoções inconscientes, marcas emocionais de nossas vivências: o Inconsciente Individual.

Temos ainda Tendências Instintivas (heranças genéticas) provindas do Inconsciente Familiar (herança familiar) e do Inconsciente Coletivo (herança da espécie), que exercem influência sutil, mesmo que possam ser definitivas em alguns aspectos.

Desconhecer esse conjunto é ter um menor poder de fazer escolhas ou ainda, menor controle sobre os resultados de nossas ações e escolhas.

Nossa consciência, através do raciocínio lógico, pode nos mostrar a inviabilidade e o enorme risco de uma relação afetivo-sexual estável (duradoura) e mais ainda, de ter filhos. O Inconsciente Coletivo, no entanto, nos impele a isso; o inconsciente familiar pode, em função do histórico familiar, nos impulsionar a favor ou contra essa escolha; o inconsciente individual, também poderá influenciar a favor ou contra, em função das nossas vivências, principalmente na primeira infância. Essa mistura de impulsos pode levar-nos com facilidade ao casamento e procriação; pode nos imobilizar caso as forças antagônicas sejam equivalentes; mas pode também nos tornar solitários. Em qualquer dos casos teremos explicações racionais (conscientes) para qualquer que seja nossa escolha.

Nascemos com algumas tendências instintivas impressas em nossos genes. Temos o inconsciente coletivo que nos brinda com recursos específicos e o inconsciente familiar que representa a herança das características do nosso grupo familiar. Portanto a natureza nos dá os primeiros impulsos para nosso desenvolvimento.

Nosso cérebro já tem suas estruturas formadas quando do nascimento. Seu desenvolvimento ocorre de forma significativa até os 20 anos de idade, mas cérebro não é mente. O psiquismo começa a se formar na gestação e são as vivências que reforçam ou modificam nossas tendências instintivas (herança genética).

Uma criança que tenha tendência genética para a obesidade (60 a 80 bilhões de células adiposas) pode, quando adulta, ter o mesmo número dessas células que uma pessoa de peso normal (entre 20 e 30 bilhões), se durante seu desenvolvimento teve sempre uma alimentação saudável e atividade física. Assim como uma criança que tenha tendência genética para comportamentos não produtivos (exemplificando com explosividade e ansiedade), pode apresentar comportamento normal se for “educada” de forma a desenvolver comportamentos “normais” e não os definidos por uma herança genética.

Temos então:

1 – A estrutura física (cérebro);

2 – Um roteiro básico – a tendência instintiva (herança genética);

3 – As vivências, subdivididas em:

3.1 – Vivências fortuitas/acidentais

3.2– Vivências intencionais oferecidas por um adulto significativo

4 – Correções que fazemos intencionalmente, quando adultos, para corrigir aprendizagens que nos levam a comportamentos indesejados.

As primeiras vivências constituem os alicerces da matriz de relação. Essa matriz é o roteiro básico inconsciente de como se darão as relações “eu/mundo”, isto é, como o indivíduo se posicionará em relação ao que lhe é externo. Se, irá perceber o que lhe é externo, como ameaçador ou acolhedor; se o externo é “melhor/acima” ou “pior/abaixo” dele mesmo; se é aceito ou não, respeitado e querido.
western’;”>matriz de relação se forma em camadas: as vivências na gestação – químico-orgânicas; nos primeiros seis meses após o nascimento – primeira base relacional; dos seis aos 18 meses – segunda base relacional; e dos 18 aos 30 meses – estruturação da matriz de relação e expansão cognitiva.

Até os 30 meses a criança desenvolve a estrutura através da qual se relacionará com o que lhe é externo, e sobre essa estrutura apoiará toda a relação, mesmo as mais complexas que existirão ao se tornar adulta. As vivências oferecidas pelo adulto significativo promovem alterações nas tendências instintivas do inconsciente coletivo e familiar, propiciando a criação das tendências do inconsciente individual (matriz de relação).

É dessa maneira, que os pais (adulto significativo), criam a mente do indivíduo, através do que vivenciam com a criança nesse período inicial da vida. O desenvolvimento posterior, relacional, será a expansão através da matriz consolidada, e o cognitivo será enfatizado e mais visível, também em camadas e com períodos nos quais mudanças significativas podem ser facilmente observadas:

  • nascimento;

  • entre os dois e três anos de idade;

  • por volta dos seis ou sete anos (maior definição da identidade);

  • entre 11 e 13 anos de idade (intensa busca de adaptação da identidade à definição de gênero);

  • entre os 16 e 19 anos (a construção da individualidade).

Aos 20 anos se consolida o córtex pré-frontal, a área executiva do cérebro, responsável pela eficácia da ação das demais áreas, além da previsão dos resultados das ações e julgamento. A partir daí somos nós que, com esse instrumental, vamos nos relacionar com pessoas (amigos, colegas de trabalho (superiores e subordinados), namorados, cônjuge, parentes e “coisas”: nosso carro, nossa casa, nossa cidade, etc.. O resultado desses relacionamentos vão determinar nosso “destino”, isto é, se vamos realizar positivamente todo nosso potencial, negativamente, o se não vamos realizá-lo. Quando adultos podemos perceber que não estamos atingindo nossos intentos e podemos querer entender o porquê disso. O caminho é conhecermos mais de nós mesmos; conhecer o que nos é inconsciente e, dessa forma: 1 – ampliar nossa individualidade 2 – corrigir eventuais “heranças que não nos sejam favoráveis e, dessa forma 3 – corrigir nossa “matriz de relação” e nossos relacionamentos, evitando que passemos à frente essa herança indesejada.Pessoas precisam de condições favoráveis para permanecer fortes e saudáveis; precisam de vínculos fortes, saudáveis e nutrientes para a realização de seu potencial e para transmitir aos descendentes o melhor de si mesmas. Não basta despender energia, criatividade, vivacidade, dedicação para estabelecer relacionamentos positivos e produtivos, é necessário ampliar o conhecimento de nós mesmos e adentrar em áreas que nos são inconscientes. O conhecimento de si e a correção de eventuais distorções é a profilaxia que tornará nossas relações e o produto de nossa vida, mais saudáveis.

 

Como é difícil Sentir (Amor)

29 janeiro, 2019

É fácil sentir irritação, raiva, preguiça; amor é mais difícil. Em parte isso se deve à correria da metrópole e à ordem social que incentiva a competição. Competir é uma forma de nos protegermos, coerente com nosso instinto, já amar é entrega, o que nos deixa inseguros.

Pior que isso é que criticamos os sentimentos (bons) com um pejorativo clichê: “romântico”! Apesar disso tudo queremos nos sentir amados.

Amar é uma ação individual que confundimos com o sentimento (amor), logo não está em uma outra pessoa e sim em si mesmo. Amar (sentir o amor) acontece em um real encontro com uma outra pessoa. “A vida é a arte do encontro” escreveu Vinícius de Moraes. De que encontro falava o poeta? Falava do encontro da sua emoção (sentimento) positiva com a emoção positiva de uma outra pessoa. Um toque, ser afetado (afeto) pelo outro, um contato direto emoção-emoção! Em função disso não deveríamos dizer que “ama alguém” e sim que “ama com alguém”.

O cinema explora muito o encontro. Em “A Corrente do Bem” (Pay it Forward, 2000) há inúmeros exemplos de pessoas que precisam conectar sua emoção à emoção do outro para decidir ajudá-lo. Em um deles um viciado percebe alguém que está prestes a saltar de uma ponte (suicídio) e tenta “salvar” essa pessoa conversando com ela. É curiosa sua última frase: “Não salte; salve a minha vida”. É o ponto mais explícito, no filme, indicando a importância do contato emocional.

Em “Noites de Tormenta” (Nights in Rodanthe 2008) Richard Gere é incentivado por Diane Lane a fazer um contato emoção-emoção com uma pessoa que o estava processando por erro médico e, como seria esperado, vê-se desenvolver também o “encontro” entre Gere e Lane.

De forma abusivamente explícita o filme “O Quinto Elemento” (The Fifth Element , 1997) fala da importância do amor (salvação do mundo) e que o quinto elemento não é uma pessoa e sim o amor, além de mostrar a dificuldade do Bruce Willis em acessar sua emoção.

Vivemos correndo e nos protegendo dos riscos que a vida nos apresenta e aprendemos a temer nossas emoções positivas como se elas nos tornassem vulneráveis (não percebemos que ao desconhecê-las é que ficamos vulneráveis). Instintivamente, no entanto, queremos ser amados e podemos buscar isso de maneiras bem erradas. A natureza pode, eventualmente, nos surpreender com uma paixão. Essa é a oportunidade de dar um salto e ampliarmos nosso repertório e finalmente aprendermos a amar (abrir o canal que estabelece relações emocionais positivas)… ou não. Podemos esquecer o contato emoção-emoção e cair em um relacionamento burocrático, mesquinho ou áspero. Obter um átimo de emoção no sexo.

Como retomar o “amor”? Olhe nos olhos e tente “sentir” o outro.

 

Como anda seu Casamento?

29 janeiro, 2019

Se você não expressar suas emoções positivas, estará mais propenso a expressar as negativas.
Sim, o casamento é um contrato e precisa atender a alguns requisitos objetivos. Há mesmo pessoas defendendo a importância de se manter a individualidade. Claro que sim, mas precisamos entender que há o componente emocional e é este que, na maioria das vezes, acaba por gerar os maiores desconfortos e mesmo definir uma separação.
Há uma pequena parte das uniões que se dão principalmente por interesses objetivos, porém a maioria é definida pelo envolvimento emocional. Ocorre que, na sociedade moderna, desconfiamos das emoções e é comum que a intimidade e o contato emocional direto entre o casal vá se reduzindo e o relacionamento se torne burocrático ou mesmo hostil. Considere como está seu relacionamento afetivo segundo os indicadores abaixo:

1 – Vocês andam de mãos dadas?
Mãos dadas, no ombro, braços dados indicam o quanto de contato vocês buscam e querem. É comum andarem “juntos”?
Desejam estar juntos?

2 – Vocês se olham nos olhos?
Olhar nos olhos é quase uma necessidade no namoro. Dizem que “os olhos são o espelho da alma”; sei que olhar nos olhos facilita o contato emocional e a troca de emoções, além de que “sentir” o outro nos permite entendê-lo melhor. Um casal deve olhar-se nos olhos com muita frequência.

3 – Há beijos “apaixonados”? Com que frequência?
O beijo “cinematográfico” é comum no namoro mas tende a se espaçar ou mesmo desaparecer na medida em que um casal se afasta emocionalmente. O beijo é um “idioma” e um casal troca informações através dele.

4 – Divertem-se juntos?
Pessoas que defendem a individualidade brigam por “espaço”, “independência”. Sim, os componentes de um casal guardam sua individualidade e independência, mas se isso significa que ficam aborrecidos quando estão juntos, que só conseguem se divertir com outras pessoas…

5 – Com que frequência trocam carinho/carícias?
O afeto pressupõe dedicação, cuidado e carinho que, em determinadas circunstâncias avançam para carícias. Quando não se pratica mais o contato emocional, o carinho torna-se mesmo difícil de ser praticado.

6 – Vocês namoram?
Não estou falando de sexo e sim de namorar: ficar juntos, olharem-se, trocarem carinho, reafirmarem que estão juntos porque querem. Uma união normalmente começa com o namoro, mas é comum que ele acabe com o casamento. Isso não pode acontecer.

7 – Você se sente amada(o)? Seu par faz você se sentir amada(o)?
A principal “tarefa” do componente de um casal é fazer com que seu par se sinta amado. Foi esse o fator principal que os levou a ficarem juntos. Ao eliminar esse sentimento a relação deteriora. Não há outro motivo que leve um casal a ficar junto além de “sentir” que é amado.

8 – Em um casal deve haver a troca emocional.
Em todos os itens anteriores você deve ter notado o ponto comum: a troca emocional. É comum que, com a convivência, os casais abandonem o contato emocional. Isso é fatal para a qualidade do relacionamento.

 

Psicoterapia

29 janeiro, 2019

Permanentemente recebemos solicitações do mundo externo e, eventualmente, podemos nos voltar para essas demandas com tanta intensidade que deixamos de cuidar de nós mesmos.
Atualmente a psicologia é um recurso que pode nos ajudar a retomarmos o controle sobre nosso caminho (e por que não dizer, nosso “destino”).
Como disse Herman Hesse “a vida é um caminho em direção a si mesmo”.

Não é exagero dizer que cada pessoa se define pelos vínculos que estabelece com coisas e pessoas. Nos relacionamos o tempo todo mesmo que não troquemos uma só palavra com alguém. Nem sempre nossas relações são satisfatórias (amigos,trabalho, cônjuge) e isso acontece não só em função de “com quem” nos relacionamos e sim “como” nos relacionamos, isto é, a qualidade de nossos vínculos, a consistência, nutriência, “força”. A qualidade com que nos relacionamos definirá então como será nossa expressão no mundo externo: nossa realização, o que seremos capazes de construir, produzir, fazer acontecer. Podemos tomar consciência, em algum momento, que não estamos alcançando os resultados que gostaríamos, sem saber bem o porquê. Talvez seja esse o momento de fazer mudanças!

 

Laços e Nós

29 janeiro, 2019

Livro: “Laços e Nós” – A Construção de um Relacionamento de Alta Qualidade

É o meu 10º livro, lançado em 2015. Como diz o título, ele fala de nós, de nossas emoções, valores e projetos e também dos laços que vamos estabelecendo ao longo da vida e, eventualmente, com alguns nós. O subtítulo confessa que o objetivo é “construir um relacionamento de qualidade elevada”.

Veja o que o jornal “O Estado de Minas” publicou sobre o livro.
 Veja os comentários do Blog “Tempo de Mulher”, de Ana Paula Padrão, sobre este livro

Adquira nas livrarias ou pela internet!

 

O Poder dos Pais

29 janeiro, 2019

A sociedade mudou nas últimas décadas: Os papéis dos pais se alteraram. O casal compartilha o orçamento doméstico. Os filhos têm inúmeras fontes de informação e seu guia-orientador não é mais único. A “escolinha” ocupa espaço no desenvolvimento infantil bem cedo. A “formação” mudou.
As necessidades humanas para a formação emocional saudável não mudaram. Como enfrentar esse conflito?

O Poder dos Pais no Desenvolvimento Emocional e Cognitivo dos Filhos é o meu penúltimo livro. Nele busco mostrar as vivências que, oferecidas à criança principalmente na gestação e primeira infância, favorecem seu desenvolvimento saudável e contribuem para que ela realize seu potencial.
O foco principal é relação entre o “cuidador” e a criança porém trata também dos principais distúrbios e dificuldades atuais. Discorre em detalhes sobre o poder dos cuidadores na formação emocional e intelectiva.
Solicite em sua livraria preferencial ou à Editora.